Aldeias
Serranas
Covas do Monte
Pena
Candal (Póvoa
das Leiras)
Manhouce
Nodar
Covas do Monte
A aldeia, pertencente à freguesia de Covas do Rio, fica encravada num vale da
Serra de São Macário a uma altitude de 450 m. À sua volta fica uma imensa
montanha de xisto, manchada de verde das giestas e do mato, aqui e ali salpicada
por algumas manchas de pinheiro e alguns, poucos, eucaliptos. Olhando no
prolongamento do vale são visíveis os campos férteis e verdejantes. Ali perto, o
Portal do Inferno espreita...
Apenas nos anos oitenta do século passado se abriu a estrada e o alcatrão chegou
mais tarde. Dali não segue para mais lado nenhum. Mas por estrada florestal
pode-se desfrutar de um belo passeio até Covas do Rio, passando por Serraco.
É constituída na sua maioria por construções de xisto, incluindo o telhado que
é feito por placas desta mesma rocha (lousa). Dispostas por ruas sinuosas, por
norma, as casas têm um piso térreo onde se abrigam os animais e as alfaias
agrícolas e um primeiro andar para habitação.
Aqui vivem 58 pessoas que têm na pastorícia a sua principal fonte de rendimento.
As cerca de 2100 cabras sobem, diariamente, num espectáculo inusitado e
surpreendente, as várias encostas, e, para as guardar, os habitantes organizaram
“parceiradas” em que se revezam, à vez e de forma comunitária, na guarda do
gado (progreiro).
No prolongamento do vale ficam situadas as “Terras do Pão”. São terrenos férteis
e com abundância de água que escorre da serra por alguns ribeiros que no estio é
utilizada e distribuída pelos campos através de um regadio tradicional. É também
essa água que dá força para fazer andar as mós, nos seculares moinhos de água,
onde se procede à moagem dos cereais para se fazer a broa.
Existiam na aldeia, antigamente, três lagares de azeite, dos quais um, o
comunitário, encontra-se neste momento em recuperação.
O Restaurante da Associação dos Amigos de Covas do Monte, resultante da
recuperação de uma antiga escola primária, merece uma visita atenta,
podendo deliciar-se com algumas das especialidades regionais, como os rojões
ou o cabrito e a vitela assada.
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Pena
Se seguir em frente na estrada que vai de S. Macário para o Portal do Inferno,
quase não dará por ela, no entanto,lá no fundo do vale, reside uma aldeia,
abrigada dos ventos e das tempestades, e também por isso, rendida às poucas
horas de sol de que dispõe, que, como alguém disse, “é uma jóia perdida na serra”.
Uma placa em xisto, como de resto praticamente toda a aldeia é formada, vai
marcando compassadamente a existência na aldeia, ou dito de outra forma, o
número actual de residentes. Estes, ao contrário da aldeia que foi submetida a
um programa de reconstrução e preservação no âmbito das Aldeias de Portugal,
não podem voltar atrás nos anos, no entanto se meter conversa com um dos
poucos que ali ainda permanecem,verá como através de histórias e lendas, como
a do morto que matou o vivo, da cabra que matou o lobo, ou da serpente em
Cova da Serpe, a Pena vive. Além disso, viu nascer, recentemente, uma criança,
feito digno e assinalável na corrente que se instalou.
Mas se a descida até à aldeia impressiona, o caminho para Covas do Rio, feito a
pé, e único a existir até um passado não muito longínquo, é simplesmente de
cortar a respiração. Estreitinho, ladeado de vegetação,abençoado pelo frondoso
ribeiro e pelas paredes que compõem esta “catedral” natural, leva-nos,
paulatinamente até ao destino, não sem antes passar pela Ponte dos Mouros,
encavalitada entre escarpas.
Curiosamente, foi um vilão do séc. XII, D. Beloi, que deu grande impulso ao
povoamento de toda estaextensaregião ao abrigo de certos privilégios reais.
Talvez assim se compreenda porque alguém escolheu esta terra no fim do
mundo para viver... ou será isto apenas o princípio?!?
A Pena possui uma Adega Regional que serve diversos pratos e um delicioso
licor com mel (para quem gosta), bem como uma loja de artesanato.
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Candal (Póvoa das Leiras)
Aldeia serrana, mas solarenga, entre a Serra da Freita e da Arada, ou para
simplificar, em pleno coração do Maciço da Gralheira, pois que as fronteiras
na serra não são tão lineares assim, tem sido motivo de inúmeras iniciativas
sociais interessantes, resultantes sobretudo do dinamismo da Cooperativa Mais
Além. Aqui se fez, por exemplo, uma estrada florestal juntando num mesmo
projecto, exército e voluntários europeus. Já lá vão mais de vinte anos. Faz
fronteira com o concelho de Arouca, e da sua freguesia fazem parte ainda os
lugares da Coelheira e Póvoa das Leiras.
Da primeira, chega-se facilmente ao Parque de Campismo da Fraguinha e
sua barragem, a convidar a um descanso sem tempo, onde, à noite, somos
presenteados com um silêncio já raro nos dias que correm (excepção feita às rãs)
e um céu arrebatador. Já da segunda, merecem destaque os seus moinhos de
água e as leiras, precisamente.
Os mouros já haviam andado por ali, como o “comprovam” as várias lendas
existentes, e, mais recentemente, uma pedra tumular colocou também os
romanos na história (actualmente esta pedra encontra-se no Museu de Belém
em Lisboa).
A agricultura é ainda o sector que ocupa o maior número de mão de obra dos
habitantes, que vão complementando com a criação de gado ovino e caprino.
Os campos de cultivo estão dispostos em socalcos, com o milho, o feijão e o centeio
a marcar presença. Qual anfiteatro natural, a imponência natural da serra, com
as vincadas divisões em pedra do
pastoreio agora em desuso, contrastando à vez com a imensa beleza bucólica ora
de Póvoa das Leiras, ora de Candal, vai sendo, também ela, pintalgada com os
”novos moinhos”. O artesanato, as tradições musicais e o trabalho nas minas de
volfrâmio durante a 2ª Guerra Mundial, são algumas das actividades que ainda
hoje, marcam as memórias dos habitantes.
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Manhouce
Atravessada pela estrada romana para Braga, pela antiga estrada Porto-Viseu,
na fronteira entre os concelhos de São Pedro do Sul, Vale de Cambra
e Arouca, Manhouce tornou-se ponto de confluência de comerciantes,
danças e cantares, tradições, turismo, novas vivências...Com
o Grupo de Cantares que lhe deu nome, liderados por Isabel Silvestre e
Mestre Silva, aquela que foi em tempos merecedora do honroso segundo lugar
na eleição da Aldeia mais portuguesa de Portugal, Manhouce
é um espaço aprazível, o qual pode servir também
para base de visita a uma série de pontos de interesse nas redondezas,
como as pedras parideiras ou a Frecha da Marisela.As Minas de Chãs,
os teares, com os quais se fabricam as mantas de lã e de trapos,
os cestos de palha de centeio, a gastronomia, os rios, os moinhos d’água,
os poços (lagoas) e suas cascatas, são alguns dos principais
atractivos desta terra.Possuidora de uma monocasta varietal, Dª Branca,
lançou recentemente um “vinho regional beiras” homónimo,
Manhouce de seu nome, fruto dos solarengos socalcos da freguesia
Nodar
“Enquadrada pela serra do Montemuro a Norte, pelo maciço da Gralheira, de que fazem parte as serras da Arada e S. Macário, a sul; com o rio Paiva a seus pés, situa-se a, porventura, a mais típica povoação do concelho de S. Pedro do Sul, a milenar aldeia de Nodar.
Perdem-se na noite dos tempos as origens deste rincão à beira-rio plantado.
São escassos os vestígios que nos permitam localizar no tempo a sua formação;
porém, ainda assim, estamos em condições de defender a tese duma comunidade
neolítica que se estruturou tendo como base da sua sobrevivência o Paiva e a
abundância de peixe que sempre o caracterizou ao longo dos séculos e, porventura,
dos milénios.
(...)
Da sua história mais recuada pouco mais se conhece, a não ser que, com a Reconquista, Nodar foi entregue aos monges beneditinos de S. João de Pendorada...
(...)
...relação íntima que Nodar manteve e mantém com o rio Paiva. Digamos que o rio,
cujas águas, segundo os entendidos, são as mais puras de todos os rios portugueses,
é também um alfobre de bom peixe, donde se destacam a truta, o barbo, a boga e a enguia, que complementaram, ao longo dos séculos, a dieta dos nodarenses, fazendo,
inclusivamente, com que não houvesse carência alimentar em muitos períodos da
sua história, em que a agricultura e a criação de gado não conseguiram prover as necessidades alimentares.
(...)
Porto Antigo, junto ao Douro, não muito longe de Cinfães, passa a ser o terminal da
sardinha, do carapau e do chicharro, transportados, a partir daí, em canastras à
cabeça e aos ombros dos sardinheiros de Boassas que, atravessando o Montemuro a
pé e descalços, mitigavam com esse peixe, pago com os ovos das galinhas, dada a
escassez do “vil metal”, a necessidade de alguma diversidade na dieta alimentar
das povoações ribeirinhas, entre as quais a incontornável, dada a sua localização
estratégica (ponte sobre o Paiva), aldeia de Nodar.
Esta aldeia fica na fronteira do concelho de S. Pedro do Sul com o de Castro Daire.
A sua ponte é, sem sombra de dúvida, a imagem de marca da aldeia. É a única
ligação, num raio de muito quilómetros, entre os dois concelhos, mas também uma
via para Arouca ou mesmo Castelo de Paiva.
(...)
...não obstante as actividades tradicionais terem, praticamente, terminado; os
campos estarem por cultivar; a juventude ser quase inexistente, ainda assim,
vislumbramos a continuação de vida neste lugar paradisíaco. Tem potencialidades
turísticas que a tornam já hoje numa terra muito conhecida, no concelho e não só;
casas novas e recuperadas, utilizando os materiais tradicionais (lousa e xisto), são
cada vez mais; os fins-de-semana, férias e festas são muito movimentados, graças,
principalmente, a pessoas nascidas na aldeia, mas que têm a sua vida nos grandes
centros; os eventos culturais promovidos pela Binaural e a Associação Cultural de
Nodar são cada vez mais frequentes. Enfim, sente-se que a aldeia não está, de modo
algum, morta e que se prepara para enfrentar o devir com grande determinação, mas também com enorme optimismo.”
Texto realizado a partir dos excertos de: “Nodar – Notas sobre o passado duma aldeia com futuro”,
Norberto Gomes da Costa
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