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Estória, História...
Encontro de Contadores, Lareiras e Sabores
Aldeias de Covas do Monte e Candal 5, 6 e 7 de Outubro
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São Pedro do Sul
O concelho de S. Pedro do Sul, com cerca de 348,68 km2, distribuídos por 19 
freguesias, usufrui de uma paisagem natural privilegiada. Rodeado pelos maciços 
das serras da Arada, Gralheira e de São Macário, apresenta-se com um conjunto de 
potencialidades naturais com montes e vales verdejantes, percorridos por rios e 
riachos com água límpida e “salpicados” com pequenas aldeias típicas.

Nos dias de hoje, todos quantos visitam o concelho de São Pedro do Sul não o fazem 
exclusivamente pelas suas termas, mesmo sendo estas uma das maiores 
potencialidades, mas procuram também usufruir das ofertas naturais e culturais 
que esta região detém. Destaque para as quatro zonas especiais de conservação que 
possui, incluídas na Rede Natura 2000: a Serra de Montemuro, as Serras da Arada 
e Freita, o Rio Paiva e o Rio Vouga.

“Nas serranias a vida corre ao sabor da calmaria do tempo e num espaço que chega 
para que todos vivam em harmonia com a natureza e é desta que se extrai o xisto 
para construir as casas típicas, das típicas aldeias da Pena, do Fujaco, de Covas do 
Monte ou Covas do Rio. Aldeias abençoadas pelas centenárias capelas de S. Macário 
de cima e a ermita de S. Macário de baixo. Todo este maciço montanhoso do “Monte 
Magaio” vive envolto em tradições, rituais, mitos, lendas,crenças de cabras que 
matam lobos, de serpentes que comem homens e de santos que transportam brasas 
acesas nas mãos, cujas memórias não se apagaram no correr dos novos tempos.”
 

Aldeias Serranas

Covas do Monte

Pena

Candal (Póvoa das Leiras)

Manhouce

Nodar

 

Covas do Monte

A aldeia, pertencente à freguesia de Covas do Rio, fica encravada num vale da 
Serra de São Macário a uma altitude de 450 m. À sua volta fica uma imensa 
montanha de xisto, manchada de verde das giestas e do mato, aqui e ali salpicada 
por algumas manchas de pinheiro e alguns, poucos, eucaliptos. Olhando no 
prolongamento do vale são visíveis os campos férteis e verdejantes. Ali perto, o 
Portal do Inferno espreita...

Apenas nos anos oitenta do século passado se abriu a estrada e o alcatrão chegou 
mais tarde. Dali não segue para mais lado nenhum. Mas por estrada florestal 
pode-se desfrutar de um belo passeio até Covas do Rio, passando por Serraco.

É constituída na sua maioria por construções de xisto, incluindo o telhado que 
é feito por placas desta mesma rocha (lousa). Dispostas por ruas sinuosas, por 
norma, as casas têm um piso térreo onde se abrigam os animais e as alfaias 
agrícolas e um primeiro andar para habitação.

Aqui vivem 58 pessoas que têm na pastorícia a sua principal fonte de rendimento. 
As cerca de 2100 cabras sobem, diariamente, num espectáculo inusitado e 
surpreendente, as várias encostas, e, para as guardar, os habitantes organizaram 
“parceiradas” em que se revezam, à vez e de forma comunitária, na guarda do 
gado (progreiro).

No prolongamento do vale ficam situadas as “Terras do Pão”. São terrenos férteis 
e com abundância de água que escorre da serra por alguns ribeiros que no estio é 
utilizada e distribuída pelos campos através de um regadio tradicional. É também 
essa água que dá força para fazer andar as mós, nos seculares moinhos de água, 
onde se procede à moagem dos cereais para se fazer a broa.

Existiam na aldeia, antigamente, três lagares de azeite, dos quais um, o 
comunitário, encontra-se neste momento em recuperação.

O Restaurante da Associação dos Amigos de Covas do Monte, resultante da 
recuperação de uma antiga escola primária, merece uma visita atenta, 
podendo deliciar-se com algumas das especialidades regionais, como os rojões 
ou o cabrito e a vitela assada.

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Pena

Se seguir em frente na estrada que vai de S. Macário para o Portal do Inferno, 
quase não dará por ela, no entanto,lá no fundo do vale, reside uma aldeia, 
abrigada dos ventos e das tempestades, e também por isso, rendida às poucas 
horas de sol de que dispõe, que, como alguém disse, “é uma jóia perdida na serra”.

Uma placa em xisto, como de resto praticamente toda a aldeia é formada, vai 
marcando compassadamente a existência na aldeia, ou dito de outra forma, o 
número actual de residentes. Estes, ao contrário da aldeia que foi submetida a 
um programa de reconstrução e preservação no âmbito das Aldeias de Portugal, 
não podem voltar atrás nos anos, no entanto se meter conversa com um dos 
poucos que ali ainda permanecem,verá como através de histórias e lendas, como 
a do morto que matou o vivo, da cabra que matou o lobo, ou da serpente em 
Cova da Serpe, a Pena vive. Além disso, viu nascer, recentemente, uma criança, 
feito digno e assinalável na corrente que se instalou.

Mas se a descida até à aldeia impressiona, o caminho para Covas do Rio, feito a 
pé, e único a existir até um passado não muito longínquo, é simplesmente de 
cortar a respiração. Estreitinho, ladeado de vegetação,abençoado pelo frondoso 
ribeiro e pelas paredes que compõem esta “catedral” natural, leva-nos, 
paulatinamente até ao destino, não sem antes passar pela Ponte dos Mouros, 
encavalitada entre escarpas.
Curiosamente, foi um vilão do séc. XII, D. Beloi, que deu grande impulso ao 
povoamento de toda estaextensaregião ao abrigo de certos privilégios reais. 
Talvez assim se compreenda porque alguém escolheu esta terra no fim do 
mundo para viver... ou será isto apenas o princípio?!? 
A Pena possui uma Adega Regional que serve diversos pratos e um delicioso 
licor com mel (para quem gosta), bem como uma loja de artesanato.
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Candal (Póvoa das Leiras)

Aldeia serrana, mas solarenga, entre a Serra da Freita e da Arada, ou para 
simplificar, em pleno coração do Maciço da Gralheira, pois que as fronteiras 
na serra não são tão lineares assim, tem sido motivo de inúmeras iniciativas 
sociais interessantes, resultantes sobretudo do dinamismo da Cooperativa Mais 
Além. Aqui se fez, por exemplo, uma estrada florestal juntando num mesmo 
projecto, exército e voluntários europeus. Já lá vão mais de vinte anos. Faz 
fronteira com o concelho de Arouca, e da sua freguesia fazem parte ainda os 
lugares da Coelheira e Póvoa das Leiras. 
Da primeira, chega-se facilmente ao Parque de Campismo da Fraguinha e 
sua barragem, a convidar a um descanso sem tempo, onde, à noite, somos 
presenteados com um silêncio já raro nos dias que correm  (excepção feita às rãs) 
e um céu arrebatador. Já da segunda, merecem destaque os seus moinhos de 
água e as leiras, precisamente.
Os mouros já haviam andado por ali, como o “comprovam” as várias lendas 
existentes, e, mais recentemente, uma pedra tumular colocou também os 
romanos na história (actualmente esta pedra encontra-se no Museu de Belém 
em Lisboa).
A agricultura é ainda o sector que ocupa o maior número de mão de obra dos 
habitantes, que vão complementando com a criação de gado ovino e caprino. 
Os campos de cultivo estão dispostos em socalcos, com o milho, o feijão e o centeio 
a marcar presença. Qual anfiteatro natural, a imponência natural da serra, com 
as vincadas divisões em pedra do 
pastoreio agora em desuso, contrastando à vez com a imensa beleza bucólica ora 
de Póvoa das Leiras, ora de Candal, vai sendo, também ela, pintalgada com os 
”novos moinhos”. O artesanato, as tradições musicais e o trabalho nas minas de 
volfrâmio durante a 2ª Guerra Mundial, são algumas das actividades que ainda 
hoje, marcam as memórias dos habitantes.

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Manhouce
Atravessada pela estrada romana para Braga, pela antiga estrada Porto-Viseu, na fronteira entre os concelhos de São Pedro do Sul, Vale de Cambra e Arouca, Manhouce tornou-se ponto de confluência de comerciantes, danças e cantares, tradições, turismo, novas vivências...Com o Grupo de Cantares que lhe deu nome, liderados por Isabel Silvestre e Mestre Silva, aquela que foi em tempos merecedora do honroso segundo lugar na eleição da Aldeia mais portuguesa de Portugal, Manhouce é um espaço aprazível, o qual pode servir também para base de visita a uma série de pontos de interesse nas redondezas, como as pedras parideiras ou a Frecha da Marisela.As Minas de Chãs, os teares, com os quais se fabricam as mantas de lã e de trapos, os cestos de palha de centeio, a gastronomia, os rios, os moinhos d’água, os poços (lagoas) e suas cascatas, são alguns dos principais atractivos desta terra.Possuidora de uma monocasta varietal, Dª Branca, lançou recentemente um “vinho regional beiras” homónimo, Manhouce de seu nome, fruto dos solarengos socalcos da freguesia

Nodar
“Enquadrada pela serra do Montemuro a Norte, pelo maciço da Gralheira,
de que fazem parte as serras da Arada e S. Macário, a sul; com o rio Paiva
a seus pés, situa-se a, porventura, a mais típica povoação do concelho de
S. Pedro do Sul, a milenar aldeia de Nodar. Perdem-se na noite dos tempos as origens deste rincão à beira-rio plantado. São escassos os vestígios que nos permitam localizar no tempo a sua formação; porém, ainda assim, estamos em condições de defender a tese duma comunidade neolítica que se estruturou tendo como base da sua sobrevivência o Paiva e a abundância de peixe que sempre o caracterizou ao longo dos séculos e, porventura, dos milénios.
(...) Da sua história mais recuada pouco mais se conhece, a não ser que,
com a Reconquista, Nodar foi entregue aos monges beneditinos de
S. João de Pendorada...

(...) ...relação íntima que Nodar manteve e mantém com o rio Paiva. Digamos que o rio, cujas águas, segundo os entendidos, são as mais puras de todos os rios portugueses, é também um alfobre de bom peixe, donde se destacam a truta, o barbo, a boga e a
enguia, que complementaram, ao longo dos séculos, a dieta dos nodarenses, fazendo, inclusivamente, com que não houvesse carência alimentar em muitos períodos da sua história, em que a agricultura e a criação de gado não conseguiram prover as
necessidades alimentares
. (...) Porto Antigo, junto ao Douro, não muito longe de Cinfães, passa a ser o terminal da sardinha, do carapau e do chicharro, transportados, a partir daí, em canastras à cabeça e aos ombros dos sardinheiros de Boassas que, atravessando o Montemuro a pé e descalços, mitigavam com esse peixe, pago com os ovos das galinhas, dada a escassez do “vil metal”, a necessidade de alguma diversidade na dieta alimentar das povoações ribeirinhas, entre as quais a incontornável, dada a sua localização estratégica (ponte sobre o Paiva), aldeia de Nodar.
Esta aldeia fica na fronteira do concelho de S. Pedro do Sul com o de Castro Daire. A sua ponte é, sem sombra de dúvida, a imagem de marca da aldeia. É a única ligação, num raio de muito quilómetros, entre os dois concelhos, mas também uma via para Arouca ou mesmo Castelo de Paiva. (...) ...não obstante as actividades tradicionais terem, praticamente, terminado; os campos estarem por cultivar; a juventude ser quase inexistente, ainda assim, vislumbramos a continuação de vida neste lugar paradisíaco. Tem potencialidades turísticas que a tornam já hoje numa terra muito conhecida, no concelho e não só; casas novas e recuperadas, utilizando os materiais tradicionais (lousa e xisto), são cada vez mais; os fins-de-semana, férias e festas são muito movimentados, graças, principalmente, a pessoas nascidas na aldeia, mas que têm a sua vida nos grandes centros; os eventos culturais promovidos pela Binaural e a Associação Cultural de Nodar são cada vez mais frequentes. Enfim, sente-se que a aldeia não está, de modo algum, morta e que se prepara para enfrentar o devir com grande determinação,
mas também com enorme optimismo.”
Texto realizado a partir dos excertos de:
“Nodar – Notas sobre o passado duma aldeia com futuro”, Norberto Gomes da Costa




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