Pensar desenvolvimento em zonas de baixa densidade como é o caso da Serra de
S. Macário e mais concretamente em Covas do Monte é um exercício de utopia.
Não que todo e qualquer processo de construção de futuro não seja por si um
exercício desses, mas porque este vai contra tudo aquilo que nos vai sendo
impingido. Todo o processo de aculturação a que estamos sujeitos vai no sentido
da massificação o que conduz inevitavelmente à desvalorização dos pequenos
espaços até pelos seus próprios habitantes.
Aqui não se pode começar pelos números, pela quantificação, mas pelos gostos,
pela emoção e pelo direito que as pessoas têm de viver e gostar da sua terra.
Covas do Monte o que tem de mais valia é ser diferente, tão diferente que quando
lá estamos não existe meio termo, ou se gosta ou se odeia e é no acentuar das
diferenças que devemos assentar o processo.
Tendo isto como pressuposto a nossa estratégia foi e é apoiar a realização de
expectativas das pessoas, ou grupos de pessoas, que vivem e gostam de Covas
do Monte. Expectativas que só através de um processo de aproximação lhes foi
possível a ousadia de nos explicitar.
Tendo sempre presente que só com o grande envolvimento de pessoas no local é
possível fazer pontes com o exterior onde está a sustentabilidade de qualquer
processo de desenvolvimento destes pequenos espaços, partimos para a realização
de actividades que facilitassem estas duas dimensões.
Recolha selectiva do lixo e instalação do Eco-ponto. Com esta actividade
pretendeu-se envolver os jovens da aldeia no processo. Demonstrou-se que eles
podem e têm poder para realizar coisas não necessitando de estar sempre sujeitos
às vontades dos mais velhos. Por outro lado a participação nesta actividade de
jovens e pessoas vindas de fora permitiu-lhes a percepção de que há outros que
se interessam e gostam da sua Terra.
Festa da Aldeia. A sua realização após um interregno de seis anos só foi possível
graças ao envolvimento e grande vontade de um grupo de jovens que de forma
militante desenvolveram um conjunto de actividades que lhes permitiu reunir
os recursos necessários para o efeito. Também aqui foi a utopia e a vontade de
realizar dos jovens que derrotou o pessimismo e o desânimo dos mais velhos.
Zona de acampamento. Procura-se com esta pequena infra-estrutura conseguir
criar as condições mínimas para a visita e curta permanência de pessoas que de
alguma forma se identifiquem com locais como este. Pensamos que serão estas
visitas que em contacto com os locais os ajudarão a projectar novos caminhos
para a aldeia.
Espaço Internet. O acesso a este meio de comunicação em lugares com as
características de Covas do Monte é vital ao início de qualquer processo de
mudança. Estamos a falar de um meio que os jovens dominam e ao introduzi-lo
na aldeia é proporcionar-lhe oportunidade de intervenção e de reconhecimento
pelos mais idosos.
Em paralelo continuamos a trabalhar com os diferentes grupos e pessoas no sentido
de os levar a construir e/ou reconstruir pequenos espaços “históricos” da aldeia
como são os casos do lagar e dos moinhos de água assim como criar espaços de lazer
como a piscina natural.